UM DIÁLOGO ENTRE OS CONTOS “A MÁQUINA EXTRAVIADA” E “A USINA ATRÁS DO MORRO”, DE JOSÉ J. VEIGA  escrito em sábado 31 outubro 2009 20:48

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Blog de contosdobrasil :CONTOS E ENCONTROS, UM DIÁLOGO ENTRE OS CONTOS “A MÁQUINA EXTRAVIADA” E “A USINA ATRÁS DO MORRO”, DE JOSÉ J. VEIGA

             Comentários em sala são sempre muito construtivos. Em uma de nossas últimas aulas, discutimos a respeito dos contos A máquina extraviada e A usina atrás do morro, de J. J. Veiga, de modo que pudemos perceber alguns pontos em comum entre eles.    
          
O primeiro trata de uma cidade provinciana que foi surpreendida com a chegada de uma estranha máquina que ninguém sabia para que servia, nem quem a tinha comprado. Depositada na praça central da cidade, a máquina passou a ser admirada pelas pessoas e não perdeu o encanto nem depois de provocar acidentes, um deles, inclusive, responsável pela mutilação de um dos moradores. Os dias transcorrem e ela torna-se o centro de todas as festividades da cidade, o único medo dos habitantes é que chegasse alguém e mostrasse como a máquina funciona e para quê servia o que destruiria todo o seu encanto.
            O segundo, por sua vez, também se passa em uma cidade pequena, surpreendida pela chegada de dois misteriosos estrangeiros que estão hospedados na pensão do vilarejo, falam uma língua que ninguém entende e recebem pelo correio caixas que não se sabe o que contém. Tempos depois, espalha-se a notícia de que o casal abrirá uma usina na cidade e está recrutando trabalhadores que, além do emprego, ganharão casas e motocicletas. No entanto, é justamente isso que desencadeia uma série de problemas, pois aqueles que ganharam as motos começam a atropelar e matar as outras pessoas por simples prazer.
            
Além disso, não se sabe o que a usina produz, mas, de repente, as casas do vilarejo começam a pegar fogo durante a noite, o que obriga os moradores a dormirem vestidos e calçados, prontos para fugir a qualquer momento. Chega um ponto em que o pai do protagonista, um jovem que é o narrador da história, também morre atropelado. Diante da situação, sua mãe vende tudo o que tem em troca de duas passagens de ônibus e ambos fogem da cidade.
           
A partir desse breve comentário a respeito do enredo dos contos, podemos perceber que eles possuem alguns pontos em comum. O primeiro refere-se ao espaço: as duas narrativas ocorrem em uma cidade provinciana, pacata, que tem sua harmonia quebrada pela chegada do “novo”, que ninguém sabe bem o que é, o que faz ou para que serve. No caso do primeiro conto, esse “novo” é a máquina, no segundo, é a usina.
           
Isso mostra que as novidades possuem um traço também comum: ambas podem ser lidas como símbolo da modernidade, do progresso. A máquina, com suas engrenagens, representa alegoricamente o início dos tempos modernos, como mostra o filme de Chaplin, e a usina, símbolo da revolução industrial, demonstra que essa revolução trouxe benefícios, mas também uma série de problemas. Assim, podemos perceber que Veiga apresenta nesses dois contos, por meio do humor, uma leitura alegórica da quebra da harmonia trazida pela modernidade, pelo progresso que invadiu as cidades interioranas e trouxe, além da euforia, um surto de conflitos.

GT1: Karen, Flávia, Rejane, Rosi e Simone

 Para ler os contos na íntegra, acesse:

 http://www.quemtemsedevenha.com.br/maquina_extraviada.htm

 http://books.google.com.br/books?id=w4QHsS2UtEkC&pg=PA73&lpg=PA73&dq=a+usina+atras+do+morro+jose+j.+veiga&source=bl&ots=QlICVYzJs-&sig=sDQKVgDBOUCV566ZKe3uojgzRvU&hl=pt-BR&ei=xYTsStcl0Ja2B92OpTs&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=9&ved=0CBoQ6AEwCA#v=onepage&q=&f=false

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1 comentário(s)

  • Fernanda mailto

    Qua 27 Jun 2012 20:33

    são textos fantasticos ,capaz de fazer qualquer um viajar junto na história.


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