O HOMEM CUJA ORELHA CRESCEU – Ignácio de Loyola Brandão.  escrito em segunda 26 outubro 2009 13:39

autor paulista, Ignácio de Loyola Brandão, realismo - mágico, Fantástico

GT1: Karen, Flávia, Rejane, Rosi e Simone

 

O conto “O Homem Cuja Orelha Cresceu” encontra-se disponibilizado em http://www.releituras.com/ilbrandao_menu.asp

 O HOMEM CUJA ORELHA CRESCEU – Ignácio de Loyola Brandão.

O conto “O homem cuja orelha cresceu” pertence à obra “Cadeiras proibidas”, publicado em 1976. Trata-se de um conto fantástico, de maior preferência do escritor, nos apontando que a realidade, muitas vezes, pode ser mais fantástica, ou pelo menos mais contundente do que a imaginação.

O conto traz um personagem solitário, “sem amigos e namorada”, que, ao fazer hora-extra em seu trabalho, depara-se com um acontecimento fantástico: suas orelhas começam a crescer! Desesperado com a situação e sem reação, o homem adormece. Ao acordar, nota que a orelha não parou de crescer, e com o passar dos dias ela toma conta do quarto, depois do hotel onde reside, e da cidade. Nota-se, como uma das características principais do homem, a submissão; as orelhas foram crescendo, e os açougueiros, entidades sociais e demais pessoas, vem ao seu encontro, para se apossarem da carne de orelha, e o rapaz, oprimido, nada fala, não questiona, não consegue se “relacionar” com seu problema, aceitar a fatalidade pelo qual foi acometido.

A princípio, a carne de orelha torna-se um benefício, porém quando todos estão satisfeitos (e o caso chega ao ponto de ser um problema nacional), ela não serve mais, a ponto de sugerirem a morte do rapaz. O conto apresenta, de maneira crítica, o retrato da sociedade atual, com sua carência de valores, hipocrisia e imposição da violência.

O conto é curto, com uma linguagem coloquial, sem complicações de estilo, fazendo com que o leitor prenda-se à leitura, surpreendendo-o com o surreal crescimento das orelhas e com as complicações que o “defeito” do rapaz acarreta na sociedade.

O desfecho é questionador. A eliminação de um problema pode transformar uma sociedade? Até que ponto chegamos à busca de nosso bem-estar? Até onde “toleramos” e conseguimos conviver bem socialmente com o “defeito” do outro? São tais questionamentos que martelam em nossas cabeças e nos fazem refletir.

Pode-se fazer uma ligação, com a época em que o conto foi publicado. Uma época que pouco se podia dizer, mas o autor disse muito. Em 1976, o Brasil estava infiltrado em uma Ditadura Militar, e mesmo assim, utilizando-se do fantástico, Brandão fala da realidade, partindo de um problema cotidiano que reflete num contexto social.

Inquieto, esse conto traz a ideia de um país em crise. Principalmente crise de valores humanos, vazio. É a realidade do homem brasileiro tentando se relacionar com uma sociedade conflituosa e com os problemas de um mundo contemporâneo.

Contato: textosliterarios@hotmail.com

 

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1 comentário(s)

  • Lucas mailto

    Qui 22 Mar 2012 01:01

    AHH eu gostei mais eu achei mt artificial


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