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contato: jessikacardoso_15@hotmail.com
O
escritor Sergio Faraco ainda não integra a Academia Brasileira de
Letras, mas pela importância de sua obra como contista, cronista,
historiador, ensaísta e tradutor poderá ocupar uma vaga na Casa de
Machado de Assis, onde duas de suas cadeiras estão sendo ocupadas
por dois coestaduanos seus: Carlos Nejar e Moacyr Scliar. Ao ocupar
uma cadeira na ABL a sua obra terá, sem dúvida, uma divulgação
condizente com a importância de sua produção literária, e, com
isso, os leitores sairão ganhando ao conhecê-la, como ganhará a
cultura do nosso país.
Não sei, por outro lado, qual poderá ser a
reação do Sergio Faraco quando souber que estou iniciando este
‘movimento’ para que venha a concorrer a uma vaga,
oportunamente, na Academia Brasileira de Letras. Provavelmente, não
se sentirá confortável com esta iniciativa, mas mesmo assim não
posso deixar de levar adiante este empreendimento.
Por outro lado, por conhecer a obra do Sergio
Faraco na sua integridade, sinto-me à vontade para dar início a
esta empresa. Li cada um de seus livros, na medida em que iam sendo
lançados. Mais ainda: fiz a releitura de muitos dos seus livros, e
a cada nova leitura convencia-me mais ainda da maestria de Faraco,
que, sem dúvida, é um dos que melhor representa o gênero conto na
literatura brasileira, ombreando com os mais importantes escritores
do conto sul-americano.
Como a obra de Sergio Faraco é extensa, para
divulgá-la usarei, em parte, a matéria que se encontra publicada,
com o esmero que lhe é próprio, no seu site (SERGIO FARACO) , que
se constitui num atalho para meu propósito. Começaremos, pois, com
os traços biográficos:
Sergio Faraco nasceu em Alegrete, no Rio
Grande do Sul, em 1940. Nos anos 1963-5 viveu na União Soviética,
tendo cursado o Instituto Internacional de Ciências Sociais, em
Moscou. Mais tarde, no Brasil, bacharelou-se em Direito. Em 1968
casa-se em Alegrete com Ana Cybele Ferreira da Costa Milano, filha
menor do poeta rio-grandense Antônio Milano. Em 1969 nasce sua
primeira filha, Bianca. Em 1971 nasce sua segunda filha, Angélica.
Em 1980 nasce seu terceiro filho, Bruno.
Passemos à cronologia de sua obra, prêmios e láureas:
1965
Começa a escrever para a Gazeta de Alegrete.
1968
Publica seus primeiros contos no Caderno de Sábado do Correio do
Povo.
1970
Publica Idolatria, contos. Em concurso estadual de contos, obtém,
com três trabalhos, os três primeiros lugares.
1974
Publica seu segundo livro, Depois da primeira morte, contos.
1975
Seu relato "Travessia" é incluído na antologia Os melhores contos
brasileiros de 1974.
1978
No Rio de Janeiro, publica seu terceiro livro, Hombre, contos.
Publica Urartu, história antiga do Oriente Próximo.
1980
No Rio de Janeiro, publica uma biografia de Tiradentes.
1982
Traduz, do uruguaio Mario Arregui, Cavalos do amanhecer. De
parceria com Blásio Hickmann, publica um dicionário de autores
rio-grandenses contemporâneos.
1984
No Rio de Janeiro, aparece seu quarto livro de contos, Manilha de
espadas.
1985
Traduz, de Mario Arregui, A cidade silenciosa, contos; do argentino
Mempo Giardinelli, Luna caliente / Três noites de paixão, novela;
do venezuelano Eugenio Montejo, O poeta sem rio, poesia.
1986
Traduz, de Mempo Giardinelli, O céu em minhas mãos. Publica seu
quinto livro de contos, a antologia Noite de matar um homem. O
Instituto Estadual do Livro edita o fascículo Sergio Faraco, que
focaliza a vida e a obra do autor.
1987
Publica os livros Doce paraíso e A dama do Bar Nevada, ambos de
contos. Traduz A revolução de bicicleta, de Mempo
Giardinelli.
1988
Recebe o Prêmio Galeão Coutinho, da União Brasileira de Escritores,
conferido ao melhor livro de contos publicado no Brasil no ano
anterior (A dama do Bar Nevada). Publica seu primeiro livro no
exterior, Noche de matar un hombre, no Uruguai.
1990
Publica O chafariz dos turcos, crônicas. No Uruguai, são reunidas
em livro as cartas que trocou com o escritor Mario Arregui,
falecido em 1985: Mario Arregui & Sergio Faraco:
Correspondencia. Publica O processo dos inconfidentes: verdade ou
versão, ensaios.
1991
Publica seu sétimo livro de contos, Majestic Hotel. Traduz A longa
viagem de prazer, contos do uruguaio Juan José Morosoli, e A
história de Naná, do também uruguaio Carlos Maggi. Organiza e
traduz, de parceria com Aldyr Schlee, a antologia de contos Para
sempre Uruguai.
1992
Em Montevidéu, publica-se a segunda edição de Noche de matar un
hombre. Traduz: Contos do país dos gaúchos, de Julián Murguía, Os
demônios de Pilar Ramírez, de Jesús Moraes, e Bernabé, Bernabé!, de
Tomás de Mattos, autores uruguaios, e Made in Buenavista, do
argentino José Gabriel Ceballos. Em Alegrete, inaugura-se na Escola
Estadual Tancredo de Almeida Neves a Biblioteca Sergio
Faraco.
1993
Publica seu segundo livro de crônicas, A lua com sede. Traduz A
menina que perdi no circo, da paraguaia Raquel Saguier, e O amigo
que veio do sul , de Julián Murguía.
1994
Pelas crônicas de A lua com sede, recebe o Prêmio Henrique Bertaso,
conferido pela Câmara Rio-Grandense do Livro, Clube dos Editores do
Rio Grande do Sul e Associação Gaúcha de Escritores. Publica, como
organizador, A cidade de perfil, crônicas de diversos autores.
Traduz Caballero, do paraguaio Guido Rodríguez Alcalá, Vozes da
selva, do uruguaio Horacio Quiroga, e A guerra das formigas, de
Julián Murguía.
1995
Recebe o Prêmio Açorianos, da Prefeitura Municipal de Porto Alegre,
pela organização de A cidade de perfil. Publica seu oitavo livro de
ficção, reunindo todos os contos que escreveu: Contos
completos.
1996
Pelo livro Contos completos, recebe novamente o Prêmio Açorianos.
Traduz Noturnos e outros poemas, da uruguaia Idea Vilariño, e
publica, como organizador, o volume Contos brasileiros, de diversos
autores.
1997
Traduz Armadilha mortal, do argentino Roberto Arlt, e organiza os
volumes Livro dos sonetos, de diversos autores, Livro das cortesãs,
de diversos autores, Livro dos bichos, de diversos autores, I-juca-
pirama, de Gonçalves Dias, A mensageira das violetas, de Florbela
Espanca, Antologia poética, de Mario Quintana, Sonetos para amar o
amor, de Luís de Camões, e O dinheiro, ensaio de Olavo Bilac.
1998
Traduz Contos italianos, de Máximo Gorki. Organiza: Todos os
sonetos, de Augusto dos Anjos, Amor ao Brasil, do Visconde de
Taunay, Marília de Dirceu, de Tomás Antônio Gonzaga, Livro dos
desaforos, de diversos autores, Livro do corpo, de diversos
autores, e Shakespeare de A a Z, uma seleção das frases lapidares
de William Shakespeare. Publica Dançar tango em Porto Alegre,
coletânea de contos, e Gregos & Gringos, coletânea de crônicas,
ambos em edição de bolso.
1999
É indicado como um dos "50 melhores contistas dos 500 anos do
Brasil" em enquête do Jornal de Letras (Rio de Janeiro (6):10,
fevereiro de 1999), dirigido por Arnaldo Niskier e Antonio Olinto.
Traduz Uma estação de amor e Passado amor, novelas de Horacio
Quiroga, São Manuel Bueno, mártir, de Miguel de Unamuno, e De
pernas pro ar: a escola do mundo ao avesso, de Eduardo Galeano, e
organiza as coletâneas As árvores e seus cantores, de diversos
autores, Decálogo do perfeito contista, de Horacio Quiroga e outros
e As primaveras, de Casimiro de Abreu. Recebe o Prêmio Nacional de
Ficção, atribuído pela Academia Brasileira de Letras à coletânea
Dançar tango em Porto Alegre como a melhor obra de ficção publicada
no Brasil em 1998. Em enquête promovida pela revista Aplauso
(número 11), de Porto Alegre, entre críticos literários e
professores de literatura, é escolhido como o quinto dos cinco
nomes da literatura rio-grandense de todos os tempos, depois de
Érico Veríssimo, Simões Lopes Neto, Dyonélio Machado e Mario
Quintana.
2000
Um de seus contos, "Idolatria", é escolhido como um d'Os cem
melhores contos brasileiros do século, coletânea publicada no Rio
de Janeiro pela Editora Objetiva. Publica Viva o Alegrete!,
coletânea de crônicas sobre sua cidade natal, em edição fora de
comércio, e Rondas de escárnio e loucura, volume de contos, que
recebe o troféu Destaque Literário (Obra de Ficção) da 46ª Feira do
Livro de Porto Alegre (Juri Oficial), atribuído pela Rede Gaúcha
SAT/RBS Rádio e Rádio CBN 1340. Em outubro, recebe da Prefeitura de
Alegrete a Comenda do Mérito Oswaldo Aranha.
2001
Publica, agora em edição comercial, as crônicas de Viva o Alegrete.
Recebe o Prêmio Açorianos de Literatura pelo livro Rondas de
escárnio e loucura. Publica, de parceria com o ex-piloto de
competição Hugo Almeida, o manual O automóvel: prazer em
conhecê-lo, cuja edição rapidamente se esgota.
2002
Recebe da Editora Nova Prova o troféu Escritor Homenageado. Publica
seu livro de memórias, Lágrimas na chuva: uma aventura na URSS, e
traduz O teatro do bem e do mal, de Eduardo Galeano. Recebe o
troféu Destaque CGTEE/Correio Povo Melhor Sessão de Autógrafos da
48ª Feira do Livro de Porto Alegre, alusivo ao lançamento de
Lágrimas na chuva.
2003
Lágrimas na chuva é indicado como o livro do ano pelo jornal Zero
Hora, em sua retrospectiva de 2002, e eleito pelos internautas, no
site ClicRBS, como o melhor livro gaúcho publicado no mesmo ano.
Tem seus contos gravados em CD, com narração de Vergara Marques, em
edição da Coleção Palavra, coordenada por Waldemar Torres. Traduz A
galinha degolada e outros contos & Heroísmos: biografias
exemplares, de Horacio Quiroga, e organiza O livro de Cesário
Verde, do poeta português Cesário Verde. Recebe o Prêmio Erico
Veríssimo, conferido pela Câmara Municipal de Porto Alegre, e o
Prêmio Livro do Ano (Não-Ficção) da Associação Gaúcha de
Escritores, por Lágrimas na chuva. Reedita-se sua tradução dos
contos do uruguaio Mario Arregui, Cavalos do amanhecer. A partir de
fevereiro, passa a publicar crônicas quinzenais no Segundo Caderno
do jornal Zero Hora, de Porto Alegre.
2004
Seu conto "Idolatria", incluído na antologia Os cem melhores contos
brasileiros do século, organizada por Ítalo Moriconi, é
interpretado pela atriz Marília Pêra no programa Contos da
Meia-Noite, da TV Cultura de São Paulo. Publica a segunda edição
ampliada de Contos completos, sendo agraciado com o Prêmio Livro do
Ano no evento O Sul e os Livros, instituído pelo jornal O Sul, TV
Pampa e Supermercados Nacional, e participa, com Armindo Trevisan e
José Clemente Pozenato, da coletânea bilíngüe Dall’altra
Sponda/Da outra margem, que recebe o Prêmio Destaque do Ano no
mesmo evento.
2005
Publica Histórias dentro da História, de crônicas e ensaios.
2006
Publica O crepúsculo da arrogância, obra que reconstitui minuto a
minuto o naufrágio do RMS Titanic.
2007
Assina contrato com a Rede Globo para a realização de uma
microssérie baseada no conto Dançar tango em Porto Alegre, com
direção de Luiz Fernando Carvalho. Publica, como organizador, a
coletânea Antologia de contistas bissextos, com 19 autores. Recebe
o prêmio Livro do Ano - Categoria Não-Ficção, da Associação Gaúcha
de Escritores, pelo livro O crepúsculo da arrogância, e o Prêmio
Fato Literário 2007 - Categoria Personalidade, atribuído pelo Grupo
RBS de Comunicações.
2008
Recebe a Medalha Cidade de Porto Alegre, outorgada pela Prefeitura
Municipal - Administração José Fogaça. Mantém a coluna quinzenal em
Zero Hora, iniciada em 2003.
Esperamos, pois, o apoio de todos os escritores
e leitores a esta campanha em favor da eleição de Sergio Faraco
para a Academia Brasileira de Letras.
Referência:
http://panorama-direitoliteratura.blogspot.com
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